Uma alternativa simples ao Estado

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Quem mora no interior de qualquer estado provavelmente já se deparou (ou se depara diariamente) com essa cena: Uma pequena cidade com poucos habitantes e todos eles ignorantes políticos em massa. As leis do estado não se aplicam e as únicas regras que os indivíduos ali respeitam, é o chamado ”direito consuetudinário”. Homens normalmente andam armados com facas ou pistolas e nesta cidade não existe nenhum tipo de corporação ou de grandes vendedores (Walmart, Coca-Cola, McDonald’s), o comércio é feito sem regulamentações e em grande parte do tempo praticado por meio de feiras.
Onde quero chegar com isso? Pois é, esse exemplo que eu dei é o anarquismo puro em si e também é o modus operandi ético e destruidor para se isolar do Estado: A simplicidade.
“Saruman acredita que apenas um grande poder é capaz de controlar o mal, mas não foi o que descobri. Descobri que são as pequenas ações do dia-a-dia, de pessoas comuns, que mantém a escuridão longe…pequenos atos de bondade e amor.”
-Gandalf.

Meu ponto é que devemos chegar a uma sociedade libertaria de maneira natural, gradual e ética. Para se chegar nesse objetivo basta copiarmos essas micro-cidades, querendo ou não elas mantem os princípios da prática anarquista em seus costumes:
Desobediência civil:
Em pequenas cidades onde existe o armamento (legal ou não) dificilmente as patas dos cães do Estado vão se intrometer na vida de seus habitantes. Nesses locais seus moradores estão praticamente “ignorando” todo o processo político. É muito comum políticos serem hostilizados e odiados por esse povo simples. Surge assim, naturalmente por meio da cultura uma desobediência civil, espontânea e intrínseca ao modo de viver.
Feiras/Ágoras (Prática do Mercado Cinza):
É muito comum o hábito de vendedores se organizarem em feiras para venderem seus produtos do qual eles mesmos produziram (alimentos, utensílios, materiais) sem regulamentação alguma e muitas vezes feitos por meio do escambo. Pratica muito comum em cidades pequenas comprar alimentos diretos de hortas privadas/comunitárias. Essa prática enfraquece as empresas corporativistas (ligadas ao Estado) e fortalecem o pequeno empreendedor verdadeiro, além de ser um forte tipo de sonegação indireta.

Auto-gestão:
É óbvio que a prática da auto-gestão é comum em cidades simples. Plantar sua própria comida, criar e abater sua própria fonte de carne e fazer seus próprios instrumentos, é até algo rotineiro. Assim não há necessidade de depender de empresas grandes ou de subsidio estatal para se alimentar.

Contratos:
“Em lugar das leis, colocaremos contratos: Não haverá mais leis votadas pela maioria ou mesmo por unanimidade. Cada cidadão, cada cidade, cada sindicato fará suas próprias leis. Em lugar do poder político, colocaremos forças econômicas.”
-Proudhon
As pessoas não precisam de leis para se relacionarem economicamente e nem moralmente, simplesmente usam de uma tática natural do ser humano: Contratos.
Contratos podem ser por meio de papéis, documentos, cartórios privados e principalmente, por meio da palavra de honra (a mais usada por indivíduos simples).

Secessão coletiva/individual:
A secessão desses lugares não é feita por meio de uma revolução armada, é feito pelo meio orgânico, natural e gradual. Aos poucos as autoridades vão se esquecendo dessas cidades até sumirem do mapa estatal, a medida que vão sendo “esquecidos”, esses lugares vão se tornando independentes até ter o poder de se protegerem contra o Estado por meio armado. Existem cidades no nordeste por exemplo onde o governo nunca colocou seus pés ,e não só no nordeste, é basicamente em todos os estados.

Sonegação indireta e direta:
Por utilizarem a auto-gestão, o mercado cinza e a desobediência civil acabam não pagando impostos indiretamente e diretamente:
Indiretamente: Negociando por meio de escambo e feiras livres produtos produzidos por meio autogestionário , ou seja, em nenhum momento pagaram impostos.
Diretamente: Desobedecendo as leis tributárias impostas pelo Estado.

Eis aqui exemplos de como fazer uma sociedade ser esquecida pelo estado (ou ao menos se esquecer dele) de modo eficaz e ético. Você enfraquece por meio econômico as relações do governo em um local, até estar pronto para lutar por autonomia. A pergunta é: Porque esses locais com uma essência anarquista não pegam em armas e começam a defender suas propriedades contra o Estado, ou forçando uma secessão e começam a viver de fato uma anarquia?
Simples, eles são ignorantes políticos. Não estão nem aí para os assuntos do governo e só querem viver a vida deles. Resta apenas uma coisa para esses locais virarem uma sociedade libertaria assumida:

Educação libertária/divulgação de ideias libertárias:
Com a divulgação de nossa filosofia em um local onde já se vivem a anarquia em seu cotidiano é um tiro certeiro para uma sociedade libertaria, simplesmente defendendo sua propriedade contra a espoliação estatal. Homens lutariam pela liberdade em prol de suas famílias e amigos.
Nós não devemos sair do Estado, o Estado deve sair de nós!

Hugo Perrondi
Referencias:
http://left-liberty.net/?p=11

Neighborhood Power: The New Localism by David Morris and Karl Hess

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